Pós-pandemia: o legado da telemedicina beneficiará a todos

*Por Erika Fuga pós pandemia

Estar em casa protegido e fisicamente distante das pessoas que amamos, enquanto a pandemia da COVID-19 tomava as ruas, hospitais e demais espaços públicos, fez com que buscássemos novos caminhos para satisfazer necessidades básicas de cuidado e afeto. Ampliamos o uso das tecnologias existentes e demonstramos carinho em videoconferências com familiares e amigos. Aprendemos a fazer reuniões de trabalho, workshops, happy hour e até festas pela tela. Uma das frases que mais ouvi nesses tempos foi: “nossa, o que seria desse isolamento sem a Internet!”.

No momento em que legitimamos a atenção via tela, a medicina impulsiona uma de suas modalidades mais promissoras: a telemedicina. Desde meados do século passado, as redes de médicos começaram a se formar para discutir casos, ensinar que estava distante e até auxiliar o tratamento em locais de difícil acesso, durante guerras ou sob inverno rigoroso. Hoje, por exemplo, as pessoas que moram na Groenlândia se consultam majoritariamente via tela com profissionais de saúde que estão na Dinamarca.

No Brasil, já usamos a telemedicina entre médicos para discussão de casos há algum tempo. Até cirurgias são acompanhadas por médicos a distância. Mas a telemedicina entre médico e paciente ainda não tinha sido regulamentada. Aí apareceu o novo coronavírus e nos obrigou a rever algumas decisões. A regulamentação estabeleceu a possibilidade desta prática em meados de março deste ano, criando as condições de segurança para o paciente, em meio à pandemia e evitando idas desnecessárias a pronto-atendimentos. Proporcionou ainda que as pessoas pudessem se consultar com diversas especialidades médicas e dar continuidade aos seus tratamentos de caráter eletivo, muitos deles, de absoluta importância sob o ponto de vista médico. Sabemos que boa parte dos atendimentos realizados pelos profissionais nas emergências hospitalares poderiam ser resolvidos a distância. Atendimento médico remoto é um grande benefício para as pessoas, os profissionais e o sistema de saúde.

Oferecer serviços de saúde via tela amplia e democratiza o acesso, além de ser uma prática solidária, já que diminuindo os atendimentos desnecessários nas urgências, abrimos espaço para atendimento mais rápido e melhor para quem realmente precisa. No nosso país, usar a telemedicina significa também cuidar daqueles que vivem distantes dos grandes centros e não conseguem ir às cidades onde há disponibilidade de serviços de saúde. Ou que ficam sem tratamento por falta de profissional especializado onde moram. A telemedicina não é um substituto para a consulta presencial e sim mais uma forma de atendimento médico que segue regras de boas práticas, confidencialidade e segurança. Há momentos em que examinar com as próprias mãos é imprescindível e jamais deixará de ser feito.

Além do atendimento médico remoto, outras terapias também já se beneficiam da tecnologia, como psicologia, nutrição e fisioterapia. Outro ponto positivo desta forma de cuidado é que em momentos de crise como este pelo qual estamos passando, médicos e profissionais de saúde podem seguir atendendo seus clientes, garantindo suas receitas e a sustentabilidade de suas estruturas.

Esperamos que as consultas via telemedicina possam ter sua continuidade mesmo após a pandemia. Afinal de contas, com esta experiência tão positiva e bem avaliada pelas pessoas, será muito difícil recuar. Como se tem dito por aí, é um legado que a pandemia vai nos deixar. Esta modalidade nos mostra possibilidades de sermos mais eficientes, garantir qualidade técnica e aproximar cada vez mais os médicos de seus pacientes

*Erika Fuga é médica e Diretora de Sinistro Saúde da SulAmérica